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Por que sou gremista - Lupicínio Rodrigues



Eu nunca escondi a minha devoção pelo Imortal Tricolor, Grêmio Football Porto Alegrense  são muitas histórias e títulos, mas o fundamental para nós, é o nosso canto maior, o hino. Peguei o trechinho abaixo do site Gremio Copero, nesta postagem ele mostra como foi feito o hino. 


Que Lupicínio Rodrigues compôs o hino do Grêmio, isso não é novidade. Muito mais que o hino do clube, é uma declaração de devoção, comprometimento e zelo por parte dos torcedores para com o Tricolor. Talvez passe por aí o fato de ser um dos mais belos do país e um dos poucos FEITO PARA O CLUBE. Para mim, o “até a pé nos iremos / para o que der vier” é La Marseillaise para gremista entoar. É a marcha em busca do triunfo e da glória.


Também consegui um vídeo de uma matéria do JA de 16.09.2009. Data de Aniversário de Lupicinio Rodrigues. O Restaurante em Questão é o Copacabana.





EUA: Um sexto das famílias passaram fome em 2008

Um em cada seis lares norte-americanos passou fome em algum momento do ano passado, segundo o Departamento de Agricultura. Trata-se da maior incidência da fome desde que teve início o estudo da segurança alimentar nos Estados Unidos, em 1995. No total, 14,6% dos lares, que equivalem a cerca de 49 milhões de pessoas, “tiveram ocasionalmente problemas para levar à mesa comida suficiente durante o ano”, afirma o informe Segurança Alimentar das Famílias nos Estados Unidos, 2008, divulgado ontem.

Isto representa um notável aumento em relação à quantidade de população que passou as mesmas penúrias em 2007, 11,1% dos lares, ou 36,2 milhões de pessoas. E seguramente este ano a proporção será maior, devido aos persistentes efeitos da crise econômica que começou a se manifestar há 14 meses. Do grupo de 17 milhões de famílias que passaram fome – ou “insegurança alimentar”, segundo o informe – um terço suportaram uma “segurança muito baixa’, o que significa que a quantidade de alimento disponível para pelo menos alguns membros dessas famílias diminuiu e seus níveis normais de alimentação foram alterados.

Esses lares sofreram tais dificuldades pelo menos vários dias durante sete ou oito meses do ano. Os outros dois terços puderam conseguir comida suficiente para evitar alterações substanciais por meio de diferentes estratégias, com dieta menos variada, programas governamentais de ajuda alimentar e nutricional ou restaurantes públicos e despensas comunitárias. A quantidade de famílias nas quais as crianças, tanto quanto os adultos, sofreram “segurança alimentar muito baixa” aumentou notavelmente de 323 mil em 2007 para 506 mil no ano passado.

O presidente Barack Obama qualificou de “inquietantes” as revelações do informe, em declaração divulgada desde a China, última etapa de sua viagem pela Ásia. “Esta tendência é dolorosamente evidente em muitas comunidades de nosso país onde os vales de alimentação se multiplicam e as prateleiras das despensas se esvaziam”, disse Obama. “É especialmente complicado haver mais de 500 mil famílias com pelo menos uma criança que passou fome muitas vezes ao longo de um ano. A capacidade de nossos filhos de crescer, aprender e conseguir suas potencialidades, e, portanto, de nossa competitividade futura como nação, depende do acesso a comida saudável”, acrescentou.

Dos 49 milhões de pessoas que passaram fome pelo menos uma vez em 2008, 16,7 milhões eram crianças, segundo o informe, 4,2 milhões a mais do que em 2007 e o registro mais alto desde 1995. “Estes dados não são uma surpresa. O que deveria nos comover é que quase uma em cada quatro crianças de nosso país vive à beira da fome”, afirmou David Beckmann, presidente da Pão para o Mundo, organização nacional que também realiza programas em países pobres.

Feeding America (Alimentando os Estados Unidos), a maior organização de ajuda alimentar do país, disse que as estatísticas coincidem com sua própria experiência em comunidades nas quais dirige cerca de 200 bancos de alimentos que atendem a mais de 25 milhões de pessoas pro ano. “É trágico tanta gente nesta nação da abundãncia não ter acesso à quantidade necessária de comida nutritiva”, disse Vicki Escarra, presidente e diretora-executiva da Feeding America. “E é de se destacar que esses números refletem o estado de nossa nação um ano atrás”, acrescentou. A economia continuou se debilitando e “é muito provável que haja muito mais gente lutando contra fome”, afirmou.

Os serviços prestados pela organização – despensas comunitárias, restaurantes e centros de emergência alimentar – registraram aumento de 50% na demanda por ajuda desde o ano passado. A taxa oficial de desemprego passou de 10% no mês passado, pela primeira vez desde o começo da década de 80, enquanto o ex-secretário do Trabalho, Robert Reich, estima a cifra “não oficial”, que inclui os desempregados que já não tentam conseguir trabalho e os subempregados, em 20%. A pesquisa de recessões anteriores indica que as pessoas que caem na pobreza em períodos de crise não se recuperam. “Muitos podem estar precisando de nossos serviços agora ou precisarão no futuro”, disse Escarra.

A insegurança alimentar, segundo o informe, se relaciona estreitamente com as famílias com renda igual ou menor do que a linha de pobreza (US$ 22.050 anuais para uma família de quatro pessoas) com um só progenitor, afro-descendentes e latino-americanos. O informe determina que a fome é mais comum em grandes cidades e zonas rurais do que nos subúrbios e prevalece mais no sudeste do país. O atual governo aumentou significativamente o financiamento para os cupões de alimento, ajuda alimentar de emergência e restaurantes escolares. Em sua declaração, Obama disse que espera aumentar esses itens para o próximo ano.

“As coisas poderiam estar muito piores se não tivéssemos amplos programas de assistência”, disse o secretário da Agricultura, Tom Vilsack. “Esta é uma grande ocasião para expor este problema”, acrescentou. Beckmann concorda: “A recessão agravou o problema da fome e o tornou mais visível. A consciência do público e o compromisso do governo me dão esperanças”, disse. “Para acabar com fome, nossos governantes devem fortalecer os programas de nutrição e fornecer empregos seguros que permitam aos pais fugir do ciclo da pobreza e alimentar suas famílias no futuro”, concluiu. (IPS/Envolverde)


Por Jim Lobe, da IPS  - (IPS/Envolverde)

Desvendando a Mente Estética

Já é possível observar diretamente como reage o cérebro diante de uma obra de arte. O prazer estético estimula áreas cerebrais que geram emoções de euforia e bem-estar.


por Mauro Maldonato, Silvia Dell’Orco e Ilaria Anzoise *


O que acontece quando temos uma experiência artística e, em sentido mais geral, uma experiência estética? Nos últimos 30 anos, as neurociências levaram suas explorações até o limiar que divide as ciências da Natureza das ciências da cultura, esclarecendo a natureza biológica e psíquica da experiência estética, uma das mais controversas e fascinantes das experiências humanas. 

Na realidade, já nos séculos passados escritores e filósofos – de Platão a Goethe, de Kant a Winckelmann – haviam tentado penetrar a essência do senso estético, da beleza. Nenhum deles, no entanto, podia imaginar que um dia observaríamos in vivo as dinâmicas do cérebro diante de uma obra de arte. No entanto, o desenvolvimento dos novos métodos de brain imaging – que nos mostram a atividade do cérebro enquanto cumprimos uma ação, pensamos ou nos emocionamos – propicia avanços formidáveis no conhecimento da fisiologia cerebral. A ressonância magnética funcional, especialmente, nos permite estudar os padrões de ativação das diferentes áreas do cérebro, mostrando como toda estrutura cerebral é especializada em uma ou mais tarefas específi cas, como a elaboração dos estímulos sensoriais (visuais, táteis, auditivos etc.), o planejamento e a execução de processos motores ou a percepção de determinados estímulos emotivos.

Evidências experimentais recentes esclarecem que, embora no plano das experiências estéticas – que implicam sentimentos, recordações, emoções e outras coisas mais – os seres humanos mostrem um forte caráter individual (porque ligados a componentes genéticas e culturais), diante de uma obra de arte eles compartilham as mesmas percepções elementares. Nesse sentido, perceber o mesmo objeto ou experimentar as mesmas emoções provocam a ativação das mesmas áreas cerebrais em todos os seres humanos. Essa disposição comum é fundamento da capacidade de comunicar até aquelas impressões e emoções profundas que não sabemos expressar com palavras.A pintura, a escultura, a poesia e a música permitem ao homem expressar em obras de elevadíssimo nível estético conceitos sutis, paixões, prazeres, tormentos e os mais íntimos movimentos da alma humana.



* Mauro Maldonato, Silvia Dell’Orco e Ilaria Anzoise Mauro Maldonato é psiquiatra e professor de psicologia geral da Universidade de Basilicata. Foi professor visitante da PUC de São Paulo e da Duke University. Silvia Dell’Orco é pós-graduada da Universidade de Estudos de Macerata e desenvolve pesquisas na área da neurociência cognitiva. Ilaria Anzoise é graduada em letras modernas com uma tese sobre iconografi a, e doutoranda em história pela Universidade de Basilicata.


Fonte: Revista Sciam - Novembro de 2009

Mudanças climáticas: Compromissos ou metas?

O Brasil assumiu compromissos com a redução das emissões de carbono até 2020. Algo entre 31% e 38% do que emitiria se nenhuma medida de redução fosse tomada. Este é o piso estabelecido pelo governo, não deve ser tomado como teto pela sociedade.

Nos últimos dois anos, em especial desde o início deste ano, o governo brasileiro tem sido pressionado por organizações da sociedade civil e pela oposição política a estabelecer suas metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os estudos do governo e de ONGs como Imazon, Greenpeace e outras mostram que os grande vilões do aquecimento global no Brasil são: desmatamento e agronegócio.  Estes dois vetores de emissões, muitas vezes, andam juntos.

Os compromissos que o governo brasileiro aceitou levar para Copenhague são apenas um piso na redução de emissões, não devem e não podem ser vistos como um teto. Ou seja, a sociedade brasileira pode e deve fazer mais do que isso. Não há nenhum motivo pelo qual o Brasil não possa assumir uma vanguarda a partir de suas empresas e de decisões de governos estaduais e municipais. O governo federal tem de negociar com muitos setores, aplacar a birra de uma bancada ruralista egocentrada e mediar as vontades de setores ambientalistas e desenvolvimentistas dentro do próprio aparelho do Estado. É compreensível que o resultado seja conservador. Mas precisamos lembrar que este é (e lutou-se muito para isto) um País livre e cada um pode estabelecer suas próprias metas e compromissos.

Existem mais atores trabalhando pela redução da emissão de gases de efeito estufa além do governo. É o governo federal que levará as metas brasileiras á COP 15, em Copenhague. A equipe de negociadores brasileiros vai enfrentar posições duras de governos como Estados Unidos e China, que ainda não se posicionaram claramente em relação às suas próprias metas e compromissos. O jogo em uma COP é pesado e os governos estão lá para defender soberania, pois uma vez assinados os compromissos, perdem o poder de decisão sobre o tema. Por isso não se espera nenhum resultado, ou algo parecido com um “Protocolo de Copenhague”, antes de março ou abril de 2010, quando o Congresso norte-americano terá aprovado ou recusado as metas que os Estados Unidos irão propor para sua própria sociedade e economia.

No entanto, lá estarão presentes outros importantes protagonistas que representam outras vontades, algumas mais avançadas. Para além das reuniões de governos, a COP é um cenário multicultural, onde ONGs, empresas e governos locais discutem suas próprias agendas, com acordos, metas e compromissos próprios. No caso brasileiro algumas representações merecem destaque, porque tem efetiva capacidade de pressão sobre as negociações principais, e porque tem o poder de tomar decisões setoriais que podem reposicionar o Brasil como liderança em questões climáticas. Estarão em Copenhague representações empresariais, onde vale destacar o Instituto Ethos e o posicionamento marcante de seu presidente Ricardo Young, representações de governos locais, a Prefeitura de Manaus, através do secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, que estará representando as cidades da América Latina e Caribe, a convite da própria ONU, e a Força tarefa de Governadores da Amazônia, que terá como representante seu secretário executivo, Virgílio Viana.

Estes três grupos estão se articulando há meses para levar posições caras para Copenhague. O Instituto Ethos, juntamente com o Fórum Amazônia Sustentável, que reúne ONGs e empresas para debaterem políticas públicos sobre a Amazônia, lançou a “Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas”, uma iniciativa tão inovadora que foi citada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, como exemplo de participação da sociedade nos processos de construção de uma economia de baixo carbono. A Prefeitura de Manaus realizou em outubro a “Cúpula Amazônica sobre Mudanças Climáticas”, onde prefeitos de toda a Amazônia brasileira e de países vizinhos assinaram a “Carta de Manaus”, que defende a criação de mecanismos que valorizem as iniciativas locais em prol da preservação e dos uso sustentável da floresta. Por fim, a Força Tarefa de Governadores da Amazônia, que lançou no final de outubro o “Relatório I – Força Tarefa sobre REDD e Mudanças Climáticas”. Segundo o governador do Amazonas, Eduardo Braga, as negociações são nacionais, mas são os governos locais que tem a capacidade de transformar as metas em realidade. “No Amazonas estamos desenvolvendo mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) inovadores, em parceria com empresas privadas”, explica. Em Copenhague a Força Tarefa estará representada pelo diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana, que é um dos mais vigorosos defensores de iniciativas de REDD.

Mais além destas representações, organizações não governamentais e empresas estão trabalhando para manter altas as expectativas e conseguir que o mundo aceite uma redução mais drástica das emissões globais de gases estufa. No entanto, é importante compreender que qualquer que seja o resultado em Copenhague, é apenas um fator de balizamento para as sociedades de todos os países. Nenhuma meta precisa ser vista como “teto” para as emissões globais e nada impede que governos locais e empresas assumam compromissos mais abrangentes. Já há exemplos de avanços além do exigido pelas leis e acordos internacionais. Um exemplo a ser destacado é o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, governado pelo republicano Arnold Schwarzenegger, que assumiu compromissos de redução de emissões muito mais audaciosos do que o governo Bush, além de liderar um movimento de governadores locais para avançar nas mudanças por uma economia de baixo carbono.

Em uma série de palestras, entrevistas e em seu mais recente livro lançado no Brasil, “A Terceira Margem”, o economista Ignacy Sachs vem defendendo que o Brasil é dos países  mais bem preparados para mudar o eixo de sua economia em direção a uma “economia da biomassa”. Ele acredita que o País detém conhecimentos e capitais que permitem olhar para os recursos naturais de forma inovadora, com a exploração sustentável de matérias primas agroflorestais e sem a necessidade de destruir biomas, mas sim com o manejo inteligente de insumos da biodiversidade. “Além disso o Brasil tem sorte, com os recursos do petróleo pré-sal pode investir grandes volumes de capitais para ser o primeiro país do mundo a ter uma economia pujante e com baixas emissões de carbono”, diz Sachs.

O importante para se refletir é o quanto desta nova economia estaria nas mãos do Estado e o quanto estaria nas mãos de governos locais e de empresas. Os empreendimentos necessários para a transformação desta economia estão muito mais no eixo da iniciativa privada do que do Estado. É importante o apoio e a regulamentação das ações, mas quem vai produzir biocombustíveis e desenvolver tecnologias hoje são empresas, universidades, centros de pesquisas e ONGs. O papel do Estado é importante, mas não limita a expansão do papel de outros setores. Recentemente o governo do estado de São Paulo anunciou metas mais abrangentes do que as do Governo Federal para a redução de emissões. Isto é importante, porque o Estado de São Paulo tem universidades e centros de pesquisa atrelados a ele, o que certamente vai possibilitar mais ações nas áreas de ciência e desenvolvimento tecnológico.

Então, não se deve ficar decepcionado porque o governo não é ambicioso nas reduções de emissões.  Uma sociedade comprometida com a construção de uma nova economia, com empresas focadas em melhorar seus negócios e garantir a perenidade de seus recursos e governos locais mobilizados pode fazer muito mais do que seguir metas tímidas. O Brasil seguirá liderando pelo exemplo de sua sociedade e o governo, qualquer que seja, virá a reboque da sociedade, como aconteceu com as políticas de REDD, que até bem pouco tempo eram completamente ignoradas por Brasília, mas que agora representam o “prato de resistência” dos negociadores do Itamaraty em Copenhague. (Envolverde)


Por Dal Marcondes, da Envolverde

O Genial Lupi

Eu gosto de música, mas admitindo que não é um gosto comum, talvez tenha uma predileção por alguns autores que, embora clássicos, não são conhecidos do grande público. E hoje é dia de Lupicínio Rodrigues, um gênio da Música Popular Brasileira. Extrai alguns dados das várias publicações que tem sobre sua vida e obra. 



Nasceu no bairro portoalegrense da Ilhota, na Travessa Batista, nº 97. Primeiro filho homem do casal Francisco Rodrigues e Dona Abigail, que tiveram ao todo 18 filhos. O pai, um funcionário da Escola de Comércio, atualmente Faculdade de Economia, batizou o filho com o nome de um herói da Grande Guerra: Lupicínio. 


Apesar de pobre, passou a infância sem grandes privações. O pai queria que ele se tornasse um doutor e, quando o menino fez cinco anos, resolveu levá-lo à escola para aprender a ler. Depois de pouco tempo freqüentando a escolinha, a professora aconselhou Seu Francisco a trazê-lo só quando tivesse sete anos: "...Até agora não quis saber de prestar atenção à aula. Só quer saber de brigar na classe e cantarolar...". O pai acabou compreendendo que o menino ainda era muito pequeno para ser forçado a estudar. 


O pequeno Lupi, como era chamado, passou a "freqüentar" o campinho de várzea para jogar bola com os outros "guris". Foi daí que veio a paixão pelo futebol que o fez tornar-se um fervoroso torcedor do Grêmio, clube portoalegrense para o qual, anos depois, acabou compondo o hino oficial. Aos sete anos, finalmente, foi matriculado no curso primário do Colégio São Sebastião, de Irmãos Maristas, que ficava na Rua do Arvoredo, hoje Fernando Machado. De sua primeira escola, guardou a lembrança carinhosa dos professores de música, Irmão Stanislau e Irmão Alfredo. Como sua família era pobre, mesmo estudando, necessitou aprender um ofício. Quando estava com 12 anos, o pai conseguiu colocá-lo como aprendiz nas oficinas da Companhia Carris Portoalegrense, que administrava os bondes e, posteriormente, na firma Micheletto. Já nessa época, compunha música para os blocos carnavalescos de seu bairro. Quando adolescente, passou a freqüentar o bar de Seu Belarmino, onde ficava com os amigos bebendo e cantando até altas horas. O pai, preocupado com o "talento" boêmio do filho, resolveu apresentá-lo como "voluntário" ao exército.

Em 1931, passou a ser o soldado 417 do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. No quartel, foi cantor de um conjunto musical de soldados e continuava compondo para os blocos carnavalescos. Chegou a vencer um concurso com uma marchinha chamada "Carnaval", feita para o Cordão Carnavalesco Prediletos. Dois anos depois, era promovido a cabo e transferido para a cidade de Santa Maria. Quando deu baixa no exército, em 1935, Seu Chico conseguiu-lhe um emprego de bedel na Faculdade de Direito. Apesar de ter tido uma grande paixão na juventude, a jovem Iná, não chegou a se casar, pois a moça não aceitava sua vida boêmia. Romperam o noivado com grande mágoa um do outro. O próprio compositor admitiria que esse fracasso amoroso na juventude teria sido fonte de inspiração de muitos sambas seus.

Em 1939, depois de rompido o noivado com Iná, decidiu passar uma temporada no Rio de Janeiro. Passou a freqüentar a boêmia da Lapa carioca, convivendo com artistas e com a malandragem de então. Entre os companheiros de noitadas no legendário Café Nice estavam Kid Pepe, Germano Augusto, Wilson Batista, Ataulfo Alves, entre outros. Foi naquele reduto boêmio que ficou conhecendo Francisco Alves, que se tornou um de seus principais intérpretes.



Lupe, foi o inventor do termo dor-de-cotovelo. Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja, se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um uísque duplo, e chora o amor que perdeu. Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.

Em 1947, aposentou-se da Faculdade de Direito de Porto Alegre por motivo de doença. Nessa época, resolveu abrir uma churrascaria, a Jardim da Saudade ou Galpão do Lupi, a primeira de uma série de restaurantes e bares que iria abrir nos anos seguintes.



Casou-se somente em 1949, com Cerenita Quevedo Azevedo, que conheceu ainda criança, e não via há mais de 15 anos. Com ela teve um filho, Lupicínio Rodrigues Filho. Na verdade, já havia sido casado com uma moça chamada Juraci, que no leito de morte lhe pediu que se casasse para legalizar a situação da filha que tiveram, Tereza. Cerenita acabou adotando a menina, que mais tarde daria cinco netos ao casal. 


Anos depois comprou uma chácara no bairro Cavalhada, onde passou seus últimos anos de vida com a família. Foi fundador e representante da Sbacem no Rio Grande do Sul, por 28 anos. Faleceu em Porto Alegre, a 27 de agosto de 1974, cercado pela admiração geral.


Fontes: Dicionário Cravo Alvim da MPB  e MPBnet


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